Uma das pioneiras da dança do ventre no Brasil
Filha de italianos, a mestra Samira reside desde a adolescência na cidade de São Paulo mas é nascida no Rio de Janeiro. Foi casada com um libanês ( pai de Shalimar ) por dezoito anos. Aos 7 já treinava seus primeiros passos de dança: escondida de seus pais, trancava-se no quarto e, com echarpes da mãe amarradas nos quadris, dançava ao som das músicas do programa de rádio de Chico Chabou, famoso na época. Esquecia-se da hora e imaginava o quanto seria maravilhoso tornar-se bailarina.
Mas seu sonho demorou para se tornar realidade. Os anos iam-se passando e
seus pais não permitiam aulas de dança, por mais que Saamira
tentasse convencê-los usando o exemplo da amiga de escola, Marcia Haidee,
que fazia aulas de ballet. Tornou-se adolescente, casou-se e então
começou a confeccionar suas primeiras roupas de dança do ventre,
que só usava nos bailes de Carnaval, dos quais participava em companhia
do marido. Criou diversos trajes sem ainda concretizar seu sonho. Já
era mãe quando resolveu montar alguns shows, baseados nas histórias
que conhecia, para apresentá-los nas festinhas de família. Em1976
foi convidada a trabalhar como manequim em desfiles realizados em Buffets
de São Paulo. A Diretora da Agência, que precisava entreter os
convidados nos intervalos para troca de roupa das modelos, comentou com Saamira
o problema e ambas tiveram a idéia de incluir pequenas apresentações
de dança do ventre nos intervalos. As apresentações,
a princípio muito tímidas, logo se tornaram imprescindíveis,
tamanho era o sucesso que faziam entre as mulheres.

Outros Buffets passaram a contratá-la para shows em festas e assim
teve início uma carreira que se desenvolveu num ritmo acelerado. Num
desses eventos Saamira conheceu o empresário Ânuar Achoa,
que a levou para o primeiro show com músicos ao vivo no Jockey Club
de São Paulo. Lá estavam as bailarinas Rita Bianchi
e Vera Bello (Najua), além do conjunto de músicos da
família Mouzayek. A partir daí passou a ser
chamada para diversos shows com conjuntos de Emilio Bonduk,
Elias Almazar e, logo depois, com Nabil Nage, Said
Azzar e Ismailli. Mais alguns anos e foi convidada pela bailarina
Rita Bianchi para substituí-la num show então
realizado no restaurante Bier Maza ( este foi o mais
famoso restaurante árabe do país nas décadas de 70 e
80). Os donos gostaram tanto que quiseram contratá-la para
integrar o quadro de bailarinas. Porém, seu marido não permitiu
que trabalhasse várias noites por semana. Ela continuou se apresentando
em festas e clubes e, finalmente, em março de 1982, convenceu o marido
e pôde, enfim, aceitar o convite do restaurante Bier Maza.
Lá trabalhou por 6 anos, de terça a domingo. Também se
apresentava, semanalmente, nos restaurantes Semiramis, Zorba o Grego,
Khan el Khalili e El Chalita.
Samira é auto didata e apesar da dificuldade de informação na época em que iniciou sua carreira foi a introdutora de diversas modalidades da dança oriental árabe no Brasil : A dança do Jarro, do Punhal, dos 7 véus, do pandeiro ...Na época muitas pessoas criticavam afirmando que estas modalidades da dança oriental não existiam; que eram invenções de Samira. O tempo, o desenvolvimento da arte em nosso país e a globalização provaram que Samira sabia exatamente o que fazia . Nossa mestra também foi a primeira bailarina brasileira a dançar com uma espada e a tocar snujs durante a apresentação .

Curiosidades
-O primeiro nome artístico de Saamira Samia - "Nadia" - foi
escolhido por Tony Mouzayek no primeiro show que realizaram
juntos. Depois, no Bier Maza, o apresentador Samir
Mammari a anunciava como "Saamira", que é o feminino
de seu nome (Samir). A princípio ela não gostou, mas assim se
tornou conhecida.
-É Saamira
quem conta que, naquela época, várias dançarinas utilizavam
sapatilhas, pois os modelos das saias eram muito abertos e pouco cobriam as
pernas. As meias de náilon ajudavam a escondê-las um pouco e,
por esse motivo não era possível dançar descalça.
-Naquela época as bailarinas já usavam glitter pelo corpo.

- 90% dos shows
eram realizados com música ao vivo. Ainda bem, pois do contrário
as dançarinas eram obrigadas a se apresentar no compasso de antigos
LP's que não tinham um som lá muito bom.
-Não receber
caixinha* após uma apresentação era exceção.
Normalmente era preciso um saco plástico para colocar todo o dinheiro
que as bailarinas e músicos recebiam por sua performance.
- Lançar
dinheiro sobre o corpo da bailarina e dos músicos é um antigo
costume árabe que não tem qualquer intenção de
ofender; pelo contrário : é uma forma de demonstrar a satisfação
pelo trabalho apresentando.
- Pouquíssimas
bailarinas davam aulas. No início, a maioria delas era autodidata e
sua atividade preferida era o show.
- Até
1985 era usado apenas um véu nas apresentações. Não
havia bastões, snujs, nem espadas...
-As bailarinas
daquela época tinham como "ponto de honra" ser convidadas
para fazer shows, e não oferecer seu trabalho. Tanto que, para isso,
não precisavam fazer nenhum tipo de propaganda como se conhece hoje.
Shows
Saamira Samia fez shows por muitas cidades nos estados de São Paulo,
Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Santa Catarina,
Pará, Ceará, Foz do Iguaçu, Bolívia, Paraguai,
Uruguai e Argentina.

Em 1977 começou
a ministrar suas primeiras aulas. Em 1991 criou o 1º Festival de Alunas,
realizado na sala de sua casa.
Em 1992 realizou o Festival em um Buffet. A partir de 1993 foi necessária
a locação de um Clube. Foi quando passou a realizar os projetos
pioneiros em parceria com sua filha Shaly.
Em 1995 idealizou o 1º Mercado Persa e o jornal "Oriente,
Encanto e Magia".
Em 1997 fez o 1º Desfile de Roupas para Dança do Ventre
Em toda a sua carreira já ministrou aulas para milhares de
alunas por todo o país e inclusive para estrangeiras .
Mensagem
de Samira:
"Que a Deusa da Dança abra suas formosas asas sobre vossas cabeças
trazendo muito sucesso, alegria e paz !"
